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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2006

Um pouco sobre Tchekhov em minha vida...

por Daniel Tsunami

“Difícil e fácil é falar daquilo que almejamos em nossas vidas. Tchekhov surgiu em minha vida há mais ou menos uns 10 anos atrás, mas só veio a fazer parte dela no ano de 2004, quando numa tarde tranqüila e calma de domingo eu resolvi dar uma atenção a aquele livro velho e empoeirado de clássicos que tinha em minha prateleira e foi assim que cai nos encantos tchekhovianos; delirei e quis entender tudo que li e percebi nos contos que acabara de ler, viagens à parte, Tchekhov me levaria ao mais fundo das pesquisas e estudos que eu poderia chegar, respirei Tchekhov, odiei Tchekhov e por fim digo que posso amá-lo, no começo sempre me sentia estranho, era muita descrição para pouco ar, Tchekhov me tirava o ar com aquela narrativa sufocante, por vezes pensei por fim poderia abandona-lo mas nunca o fiz, foi lendo e relendo os contos que ele escreveu que entendi que nem tudo na vida tchekhoviana era críticas ao governo, críticas aos médicos, aos enfermeiros, aos insanos, aos medos em fim aquelas eram críticas que falavam da alma, do sentimento omisso mais puro que há dentro de nós mesmos, quem sabe um mergulho numa realidade vivida mais abandonada, eu por vezes posso dizer que fui até Tchekhov, eu revivi momentos que jamais vou esquecer um verdadeiro “Ato Tchekhoviano” onde o “ser” perde a razão e a descrição virá uma arma poderosa que pode matar ou resolver uma situação mal resolvida na vida simples de um ser qualquer, foi com essa idéia que por mais de 4 anos venho esclarecendo o nosso Tchekhov, sim ele tem que ser esclarecido e não explicado, ninguém explica aquilo que precisa ser esclarecido até porque para algumas pessoas o esclarecimento virá naquele momento, mas não podemos e não devemos deixar de lado aqueles que nem percebem no primeiro momento, é ai neste ponto que eu entro, reinventando e esclarecendo Tchekhov, ele era homem simples com muitos anseios, mais com tanta pureza e nobreza que talvez só muita descrição o esclareceria, já são quase 150 anos que ele nasceu e muito se diz sobre ele e pouco se entende, divergências a parte eu o vejo como o melhor descritor da vida humana na terra com muitas palavras e muito sentimento ele descreveu aquilo que nem a vida explica, razões e sentimentos que não percebemos apenas sentimentos, e foi isso que levou o nosso Tchekhov ao ápice da mais pura narrativa pratica em uma descrição puramente escolhida para aqueles que tinham e tem o dom maior da percepção, era isso que o nosso Tchekhov queria e quis dizer aqui neste nosso mundo tão grande e tão pequeno, e foi assim que ele entrou em minha vida com a verdadeira idéia que um dia entraria em nossa cia de teatro, desde o inicio de minha pesquisa havia a grande vontade de trabalhar com este maravilhoso contista, mais como? Como colocar dentro do teatro tanta descrição contida em tantas palavras e por fim passar a platéia uma mensagem clara e limpa, foram muitas noites mal dormidas e muito aprendizado; mas por fim encontramos a formula, qual seria o melhor caminho para esclarecer o nosso Anton se não colocar seus contos em duas caixas de teatro lambe lambe, mais muitos devem se questionar “mas como colocar Tchekhov dentro de duas caixas”; conclusões a parte nossa formula deu certo, temos patrocínio da Funarte e Petrobrás e é com muito orgulho que nossa pesquisa com Tchekhov se vê concretizada no espetáculo “Lambe Lambe in Tchekhov” juntamos nossa pesquisa russa com nosso teatro 100% brasileiro, isso foi e é fantástico, o teatro lambe lambe também em nossa vida de forma maravilhosa que será explicado em nosso blog por Dio Adhelino, mas podemos dizer que desde nossa estréia o Tchekhov e o lambe lambe nos surpreendem muito seja com a curiosidade das pessoas quanto a saber o que há dentro das caixas ou quanto a entender o porque de tanta descrição em uma história de curta duração e assim agente vai esclarecendo e se envolvendo mais uma vez com Tchekhov e já anunciando nova produção baseada nesta pesquisa Tchekhoviana aguardem!